Edição comemorativa ganha novo projeto gráfico e conteúdo inédito

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Grande sertão: veredas, setenta anos depois

Romance de João Guimarães Rosa ganha edição comemorativa
pela Companhia das Letras com conteúdo inédito

 

Edição especial de 70 anos da Companhia das Letras de Grande sertão: veredas.

 

Publicado originalmente em 16 de julho de 1956, Grande sertão: veredas completa setenta anos com a força de um verdadeiro clássico, reafirmando seu lugar incontornável no cânone brasileiro. Ao atribuir ao sertão mineiro sua dimensão universal, João Guimarães Rosa mergulha profundamente na alma humana para retratar o amor, o sofrimento, a força, a violência e a alegria em uma prosa extremamente inventiva e fascinante. Sete décadas depois, o romance segue vivo, despertando o interesse de renovadas gerações de leitores.

Para celebrar a data, a Companhia das Letras lança uma edição comemorativa que convida a redescobrir a potência deste clássico, com um novo projeto gráfico assinado por Alceu Chiesorin Nunes, que integra a obra da artista visual Sonia Gomes – cujo trabalho está conectado com as raízes, os materiais e as memórias do sertão mineiro. 

O volume conta também com um ensaio do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance, que por pouco não se chamou Veredas mortas. Além disso, constam os depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior.

 
 

Por que ler Grande sertão: veredas hoje?

 

O romance narra a história do ex-jagunço Riobaldo, que relembra sua vida de guerras no sertão, seu amor por Diadorim e faz profundas reflexões filosóficas sobre a existência. Angustiado e buscando coragem para liderar seu bando e vencer a guerra, o narrador conta de quando tentou realizar um pacto com o demônio. Ele existe mesmo ou tudo não passa de uma luta interna do próprio homem?

Neste clássico arrebatador, as paisagens percorridas pelos jagunços ganham uma dimensão demasiadamente humana. Enquanto o "grande sertão" representa o perigo, a vastidão e a violência do mundo dos jagunços, as veredas são caminhos úmidos com buritis e água corrente.

 

“O romance se organiza como um campo de tensões em que nada permanece estático: a sintaxe oscila, o tempo avança e recua, o narrador duvida de si mesmo. A linguagem é travessia, e o sertão que se desenha ali é mais um movimento contínuo do que qualquer ponto fixo no mapa.”

Bia Lessa

 

A saga de Riobaldo e Diadorim foi um verdadeiro divisor de águas na literatura brasileira. A revolução linguística de João Guimarães Rosa constituiu-se não só em misturar a linguagem culta e erudita com a linguagem popular do sertão, mas em unir neologismos, arcaísmos e estrangeirismos. A quebra das estruturas narrativas tradicionais e o fluxo de consciência do narrador resultou em um livro de idioma próprio, que “não se submete à tirania da gramática e dos dicionários dos outros”, como dizia o autor.

 

Uma travessia cheia de riscos

 

“Viver é muito perigoso”. Esta frase, proferida por Riobaldo algumas vezes ao longo do romance, funciona como eixo de reflexão para uma narrativa que entende a existência como travessia. O perigo, aqui, não se reduz à morte, mas se manifesta nas incertezas constantes sobre nossas escolhas e os rumos da própria vida. Entre o bem e o mal, Deus e o Diabo, destino e liberdade, razão e delírio, o livro tensiona fronteiras já instáveis. O sertão se transforma em um espaço simbólico repleto de metáforas, com dimensões existenciais e metafísicas.

 

“Acho que me tornei Riobaldo por um tempo. Rosa me ensinou a pensar a língua como ele, a observar os passarinhos como Diadorim ensina, a duvidar de tudo como Riobaldo duvida. Toda vez que chego ao fim do livro, eu choro. Porque meu coração sobreviveu ao arrebatamento. E sei que vou ler de novo, infinitas vezes, pelo resto da vida. Como uma Bíblia.”

Alison Entrekin

 

Aos setenta anos de sua publicação, celebramos Grande sertão: veredas como um dos mais transformadores clássicos da literatura brasileira. Seu legado não se resume à revolução linguística, à inovação formal ou à universalização do sertão, mas se afirma, sobretudo, na maneira como encena a experiência humana de descobrir quem somos ao longo da travessia. O romance de João Guimarães Rosa é capaz de iluminar, ainda hoje, os riscos e as belezas de existir.

 

Conheça as outras edições de Grande sertão: veredas

 
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Grande sertão: veredas (Edição especial 70 anos)

João Guimarães Rosa
608 páginas
Preço: R$ 209,90 (livro físico) /  R$ 44,90 (e-book)

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